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Professores estão ficando doentes com mais freqüência PDF Imprimir E-mail

Uma pesquisa nacional mostra que a saúde dos professores brasileiros não anda nada bem. Os problemas registrados desde a década de 80 só vem aumentando cada vez mais, juntamente com o número de profissionais afastados das salas de aula por problemas como distúrbios vocais, stress, dor nas costas e esgotamento mental e físico.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) levantou que no ano de 2003, aproximadamente 22,6% dos professores pediram afastamento por licenças-médicas.
A pesquisa foi batizada de “Identidade Expropriada – Retrato do Educador Brasileiro” e mostrou que entre os 250 mil professores que atuam no Brasil, 30 mil faltam por dia ao serviço só no Estado de São Paulo, que tem a maior rede de ensino público do país.
Em São Paulo foram emitidos em 2006, quase 140 mil licenças médicas, com duração média de 33 dias, acarretando para o Estado um gasto de R$ 235 milhões. Nas escolas públicas do Distrito Federal, quase metade (46%) dos professores precisa pedir licença médica durante o ano letivo.
Em Dourados
O Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Dourados – Previd, realizou em 2007, um estudo com os trabalhadores do Município, entre eles os educadores e o resultado refletiu o mesmo problema verificado no cenário nacional: falta de valorização causa dano à saúde dos educadores.
No ano do estudo foram emitidos 494 atestados de afastamento de educadores de suas funções por conta de problemas de saúde.
O Previd tem uma assistente social e uma psicóloga que oferecem auxílio aos servidores principalmente quando o atestado se refere à quadro de doenças psíquicas, quadros de depressão ou stress. O trabalho é inédito e foi implantado há dois meses. “As profissões ligadas ao contato com pessoas são mais vulneráveis à essas doenças”, explica a assistente social Cláudia Viana Schwabb.
Claúdia ainda está terminando um estudo que mostra o perfil dos professores de Dourados quanto à incidência de doenças na categoria. O estudo deve ser finalizado até o final do mês, mas ela adiantou que professoras em idade de 30 a 50 anos, com até 10 anos de profissão e que lecionam nas séries iniciais fazem parte do “grupo de risco” sujeito a adoecer com mais freqüência.
Acompanhamento
O acompanhamento psicológico tem se mostrado um caminho para os trabalhadores que apresentam quadro de depressão. A psicóloga Daniele Fiori da Costa Vieira Teles explica que no começo os servidores que eram visitados ficavam um pouco desconfiados, pensando que se tratava de uma fiscalização, mas essa situação vem se transformando. “As coisas vêm mudando, hoje eles se sentem acolhidos e não fiscalizados. Às vezes a pessoa apresenta um quadro de depressão e fica em casa, o que não pode, pois, uma coisa é a doença e outra coisa é a incapacidade de voltar ao trabalho e as pessoas à vezes confundem isso”, explica Daniele.
Uma hipótese
Osnyr Batista, mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina, atribui o percentual excessivo de professores adoecidos à falta de reconhecimento da profissão. Em 2005, o especialista realizou uma radiografia da situação de trabalho dos professores catarinenses e descobriu que 15 mil professores, de um total de 40 mil, ficaram afastados por licença.
Segundo Batista, a primeira suspeita era de que isso seria decorrente dos baixos salários, mas, na verdade, ele descobriu que as principais causas de afastamentos são as condições inadequadas de trabalho. “Há uma cobrança muito grande da sociedade com relação aos professores, mas, ao mesmo tempo, eles não são valorizados como deveriam ser e quando percebem isso, adoecem”, explicou.
Um alerta
O presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação – Simted de Dourados, José Carlos Brumatti, alerta que com esse problema “a questão pedagógica fica prejudicada, pois, cada professor tem sua metodologia de ensino e, nos casos de licença dos professores, o aluno acaba sendo prejudicado devido a oscilação de profissionais e a conseqüente interrupção desses trabalhos”, explica o presidente.
Na opinião de Brumatti, o que pode estar causando o alto índice de adoecimento dos professores seria a jornada excessiva a que os professores são submetidos, bem como o alto número de alunos em sala de aula que causam desgaste físico dos professores. Além disso, Brumatti lembra ainda a pressão à que são submetidos os professores por trabalharem com alunos com os mais variados problemas sociais, pois nos últimos anos, a estrutura de formação da sociedade tem se alterado profundamente, com valores morais e éticos diferentes desses valores de 20 ou 30 anos atrás. Da mesma forma, são diferentes os valores de uma família para outra que se modificou nesses últimos 20 ou 30 anos. Toda essa diversidade é canalizada para dentro da sala de aula e, consequentemente para o professor, que não tem a estrutura psicológica para suportar essa situação e, portanto, sofre com o stress, a depressão, a síndrome de Bornoult e outras. A baixa remuneração também foi lembrada pelo presidente.

FONTE: Simted e Portal do Professor

 

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